Uma denúncia considerada extremamente grave começa a ganhar repercussão em Campo Novo do Parecis e pode revelar um dos episódios mais delicados já relatados no setor imobiliário da região. Um corretor e empresário do ramo de loteamentos estaria sendo acusado de estruturar um suposto esquema de venda de participações em um empreendimento que, segundo relatos, não existiria de fato ou não corresponderia à realidade apresentada ao investidor. Conforme as informações levantadas até o momento, o loteamento citado sequer existiria na cidade de Juara, local indicado como sede do investimento.
De acordo com informações obtidas pela equipe do Campo Novo em foco, o suspeito teria comercializado porcentagens de participação em empreendimento imobiliário por meio de contratos de sociedade de participação. Ainda segundo a denúncia, teria sido criada uma empresa paralela à empresa considerada verdadeira, por meio da qual teriam sido cobrados do comprador valores significativos a título de aporte financeiro para investimento no negócio, supostamente em desacordo com a porcentagem real de participação de cada sócio.
A denúncia aponta que, após a formalização dos contratos e a realização dos aportes, o comprador teria começado a identificar inconsistências nos documentos e na estrutura societária apresentada. Entre as irregularidades relatadas estaria, inclusive, a retirada do nome do investidor de um contrato de sociedade sem qualquer autorização ou assinatura formal, fato que levanta questionamentos sobre como tal alteração teria sido realizada junto à Junta Comercial.
Ainda segundo o denunciante, ao questionar os fatos e buscar esclarecimentos, teria passado a sofrer perseguições, difamações e até ameaças atribuídas a supostos indivíduos ligados ao investigado, que teriam se apresentado como criminosos.
A situação teria levado o investidor a reunir provas documentais e audiovisuais que, segundo ele, comprovariam a existência de dívidas e irregularidades na condução do negócio.
Nossa reportagem teve acesso a registros em vídeo e documentos que agora fazem parte do conjunto de provas reunidas pelo denunciante. O material deverá ser apresentado oficialmente às autoridades competentes nos próximos dias, quando também deverá ser protocolada uma ação judicial buscando reparação pelos prejuízos sofridos.
Outro ponto sensível da denúncia envolve o CRECI-MT, órgão responsável pela fiscalização da atividade de corretagem imobiliária no estado. O denunciante afirma ter levado o caso à entidade, mas sustenta que não houve avanço na apuração por prevaricação ordenada pelo presidente da entidade que e amigo pessoal do golpista.
Segundo ele, haveria proximidade entre o investigado e membros da direção da instituição, o que teria contribuído para a ausência de providências até o momento. A entidade, entretanto, ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.
Também chama atenção o fato de que outros supostos sócios do empreendimento teriam conhecimento das denúncias, mas permaneceriam em silêncio, situação que levanta questionamentos sobre eventual conivência ou omissão diante dos fatos relatados.
O caso começa a mobilizar bastidores do setor imobiliário regional e poderá ganhar proporções estaduais caso as denúncias sejam confirmadas pelas investigações. Especialistas apontam que, se comprovadas as irregularidades, os envolvidos poderão responder por crimes como estelionato, falsidade documental e associação criminosa.
A equipe do Campo Novo em foco seguirá acompanhando o caso e buscará ouvir todas as partes citadas na denúncia. Novas informações deverão ser divulgadas nos próximos dias à medida que o processo judicial for oficialmente instaurado.
A equipe do Campo novo em foco tentou contato com os envolvidos mas nenhum retornou as tentativas e também conseguiu contato com o corpo jurídico da instituição do CRECI-MT.

